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Por que algumas
pessoas são vegetarianas

A competição
para produzir carne, ovos e derivados de leite
baratos tem levado o "agribusiness" a tratar os
animais como objetos e mercadorias. A tendência
mundial é a de substituir fazendas familiares pelas
"fazendas-fábricas": galpões onde os animais são
mantidos em currais abarrotados ou cocheiras
estreitas. Um grande número de bois de corte, vacas
leiteiras, leitões, galinhas e perus são criados
nessas condições.
O
que é Carne?

A faca
desce macia, cortando sem esforço o pedaço de
picanha. Dourada e crocante nas bordas, tenra e
úmida no centro. Você põe a carne na boca e
mastiga devagar, sentindo o tempero, a maciez, a
temperatura. O sumo que escorre dela enche a
boca e, com ele, o sabor incomparável. Carne é
bom.
Mas que tal assistir a mesma cena sob outra
perspectiva? No prato jaz um pedaço de músculo,
amputado da região pélvica de um animal bem
maior que você. Com a faca, você serra os feixes
musculares. A seguir, coloca o tecido morto na
boca e começa a dilacerá-lo com os dentes. As
fibras musculares, células compridas de até 4
centímetros e resistentes, são picadas em
pedaços. Na sua boca, a água (que ocupa até 75%
da célula) se espalha, carregando organelas
celulares e todas as vitaminas, os minerais e a
abundante gordura que tornavam o musculo capaz
de realizar suas funções, inclusive a de se
contrair. Sim, meu caro, por mais que você odeie
pensar que a comida no seu prato tenha sido um
animal um dia, você está comendo um cadáver.
Carne e tecido animal, em geral muscular. As
fibras que a compõe são feixes de celulas
musculares, enroladas umas nas outras. Em volta
delas há uma cobertura de gordura, cuja função é
lubrificar o musculo e permitir que ele relaxe e
se contraia suavemente. Ou seja, não há carne
sem gordura.
A diferença entre carne branca e vermelha é a
quantidade de ferro no tecido o mesmo mineral
que da cor ao sangue. As celulas de animais
grandes, como o boi, são ricas de uma molecula
chamada mioglobina, que contém ferro. Peixes e
galinhas, por terem o corpo menor, não precisam
de reservas tão grandes de nutrientes nas
celulas e, por isso, tem menos mioglobina.
Animais mais velhos tem carne mais vermelha isso
explica a brancura do frango industrializado,
abatido antes dos dois meses, se comparado a
galinha caipira. Essa última tem mais tempo para
acumular mioglobina nas células.
Números,
Números e Números
Há no mundo
1,35 bilhão de bois e vacas. Criamos 930 milhões de
porcos, 1,7 bilhão de ovelhas e cabras, 1,4 bilhão
de patos, gansos e perus, 170 milhões de búfalos.
Some todos eles e temos uma população de animais
quase equivalente a humana dedicando sua vida a nos
alimentar involuntariamente, é claro. E isso porque
ainda não incluimos na conta a população de frangos
e galinhas abastecendo a Terra de ovos e carne
branca: 14,85 bilhões. Só no Brasil há 172 milhões
de cabeças de gado bovino uma para cada cabeça
humana. Nosso rebanho bovino só é menor que o da
Índia, onde é proibido matar vacas. Na média, um
brasileiro come perto de 40 quilos de carne bovina
por ano ou seja, uma familia de cinco pessoas devora
uma vaca em 12 meses. Somos o quarto pais do mundo
onde mais se come carne bovina . Um brasileiro médio
come também 32 quilos de frango e 11 quilos de porco
todo ano.
Como
Vivem E Morrem - Os Animais?
BOI
No
Brasil, os bois são criados soltos. Provavelmente,
essa forma de criação é menos terrível que a de
paises frios do Cone Sul e da Europa, onde os
invernos matam o pasto e fazem com que os animais
fiquem fechados em áreas apertadas, comendo só
ração. Isso não quer dizer que seja o melhor dos
mundos. Os animais muitas vezes passam fome, vivem
cheios de parasitas e apanham copiosamente. O manejo
no Brasil e muito bruto, diz o etologo Matéus
Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista
(Unesp), de Jaboticabal, especialista no assunto.
Não existe aqui no Brasil a produção de vitela carne
muito branca e macia de bezerros mantidos em jaulas
superapertadas para evitar que se movimentem. Para
acentuar a brancura da carne, os criadores não
permitem que o bezerro coma grama ou grãos, só
leite, a dieta tem que ser pobre em ferro e em
outros nutrientes, forçando uma anemia no animal.
Com isso, torna-se necessario o consumo de
antibioticos, para diminuir o risco de infecções do
animal desnutrido. A vitela deveria ser proibida no
mundo inteiro, afirma o agrônomo e etólogo Luiz
Carlos Pinheiro Machado Filho, especialista em
técnicas de manejo da Universidade Federal de Santa
Catarina.
Para matar um boi, primeiro se dá um disparo na
testa com uma pistola de ar comprimido. O tiro deixa
o animal desacordado por alguns minutos. Ele então é
erguido por uma argola na pata traseira e outro
funcionário corta sua garganta. O animal tem que ser
sangrado vivo, para que o sangue seja bombeado para
fora do corpo, evitando a proliferação de
microorganismos, diz Ari Ajzenstein, fiscal do
Serviço de Inspeção Federal (SIF), que zela para que
as regras de higiene e de bons tratos no abaté sejam
cumpridas.
O abaté a marretadas está proibido no país, o que
não quer dizer que não aconteça já que quase 50% dos
abatés são clandestinos e, portanto, sem
fiscalização. O problema da marretada é que não e
fácil acertar o boi com o primeiro golpe. Muitas
vezes, são necessários dezenas para desacordá-lo.
GALINHAS

Essas quase sempre levam uma vida miserável.
Vivem espremidas numa gaiola do tamanho delas. As
luzes ficam acesas até 18 horas por dia assim elas
não dormem e comem mais (isso acontece
principalmente com as que produzem ovos). Seus bicos
são cortados para que não matém umas as outras e
para evitar que elas escolham que parte da ração
querem comer caso contrário, ciscariam apenas os
grãos de seu agrado e deixariam de lado alimentos
que servem para que engordem rápido.
A morte e rápida. As galinhas ficam presas numa
esteira rolante que passa sob um eletrodo. O choque
desacorda a ave e, em seguida, uma lâmina corta seu
pescoço. O esquema é industrial. Hoje, nos Estados
Unidos, são abatidas, em um dia, tantas aves quanto
a industria levava um ano para matar em 1930. Nas
granjas de ovos, pintinhos machos são sacrificados
numa especie de liquidificador gigante. Parece
horrível, mas é a mais indolor das mortes descritas
aqui.
PORCOS
Outros
azarados. Não tem espaço nem para deitar
confortavelmente. São confinados do nascimento ao
abate, diz Pinheiro Filho. As gestantes são forçadas
a parir atadas a uma fivela, apertadas na baia. O
abate é parecido com o de bovinos, com a diferença
que o atordoamento é feito com um choque elétrico na
cabeça e que o animal é jogado num tanque de água
fervendo após o sangramento, para facilitar a
retirada da pele. Gail Eisnitz afirma, em seu livro,
que muitos porcos caem na água fervendo ainda vivos,
mas isso provavelmente é incomum.
PATOS E
GANSOS

Os mais
infelizes dos nossos alimentos provavelmente são os
gansos e patos da França. O foie gras, um patê
tradicional e
sofisticado, é feito com o fígado inflamado das
aves. Os produtores colocam um funil na boca delas e
as entopem de comida por meses, fazendo com que o
figado trabalhe dobrado. Isso provoca uma inflamação
e faz com que o órgão fique imenso, cheio de
gordura. Ou seja, o patê, na prática, é uma doença.
Há movimentos pedindo o banimento do produto. Não se
produz foie gras no Brasil.
http://mahaprem.sites.uol.com.br/Vegetarianismo.html |